Mounjaro (Tirzepatida), Odontologia e Odontologia do Sono: o que o dentista precisa saber
- Triodonto Odontologia especializada
- 22 de jan.
- 3 min de leitura
Escrito por: Dr. Guilherme Campos de Faria CRO/ SP: 154549

O uso do Mounjaro® (tirzepatida) tem crescido significativamente, especialmente no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle do peso corporal. Com isso, cada vez mais pacientes que procuram atendimento odontológico — inclusive para tratamentos relacionados ao sono — fazem uso dessa medicação. Diante desse cenário, é essencial que o cirurgião-dentista compreenda como o Mounjaro pode influenciar tanto os tratamentos odontológicos convencionais quanto a Odontologia do Sono.
O que é o Mounjaro?

O Mounjaro é um medicamento injetável de uso semanal, pertencente à classe dos agonistas duplos dos receptores GIP e GLP-1. Ele atua no controle glicêmico e na redução do apetite, promovendo perda de peso. Trata-se de um medicamento de prescrição médica, não sendo indicado ou prescrito pelo cirurgião-dentista.
Mounjaro e Odontologia: impacto clÃnico geral
Embora não seja um fármaco odontológico, o uso do Mounjaro pode interferir diretamente no atendimento odontológico, especialmente em procedimentos cirúrgicos, de longa duração ou que envolvam sedação.
Entre os principais efeitos sistêmicos estão:
Náuseas e vômitos
Retardo do esvaziamento gástrico
Alterações no metabolismo glicêmico
PossÃvel redução do fluxo salivar
Esses fatores exigem atenção durante a anamnese e no planejamento do tratamento.
Relação entre Mounjaro e Odontologia do Sono
A Odontologia do Sono atua principalmente no tratamento do ronco e da apneia obstrutiva do sono (AOS) por meio de dispositivos intraorais. Nesse contexto, o uso do Mounjaro pode trazer impactos indiretos positivos e pontos de atenção clÃnica.
1. Perda de peso e apneia do sono
A obesidade é um dos principais fatores de risco para a apneia obstrutiva do sono. A perda de peso promovida pelo Mounjaro pode:
Reduzir a gravidade da AOS
Diminuir a frequência de episódios de apneia
Melhorar a resposta ao uso de dispositivos intraorais
Em alguns pacientes, a redução de peso pode potencializar os resultados do tratamento odontológico do sono, tornando-o mais eficaz e confortável.
2. Ajustes e reavaliação dos dispositivos intraorais
Com a perda de peso e possÃveis alterações no tônus muscular da via aérea, pode ser necessária:
Reavaliação da titulação do dispositivo
Ajustes na posição mandibular
Acompanhamento mais frequente
Isso reforça a importância do seguimento clÃnico regular nos pacientes em tratamento do sono.
3. Sintomas gastrointestinais e uso noturno do dispositivo
Efeitos como náuseas e refluxo gastroesofágico, que podem ocorrer com o uso do Mounjaro, devem ser considerados, especialmente em pacientes que utilizam dispositivos intraorais durante o sono. O dentista deve investigar:
Presença de refluxo noturno
Desconforto ao uso do aparelho
Qualidade do sono relatada pelo paciente
4. Abordagem multiprofissional
Assim como em outras áreas da odontologia, a Odontologia do Sono se beneficia de uma atuação integrada com:
Médicos do sono
Endocrinologistas
Pneumologistas
O uso do Mounjaro reforça a necessidade dessa comunicação, garantindo segurança e melhores resultados terapêuticos.
Conclusão
O Mounjaro não é um medicamento de uso odontológico, mas seu impacto sistêmico tem reflexos importantes na prática clÃnica, especialmente na Odontologia do Sono. A perda de peso pode favorecer o controle da apneia do sono, enquanto seus efeitos colaterais exigem atenção durante o acompanhamento odontológico.
O papel do cirurgião-dentista é realizar uma anamnese detalhada, monitorar as mudanças clÃnicas do paciente e atuar de forma integrada com outros profissionais de saúde, sempre priorizando a segurança e a qualidade de vida do paciente.
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